A delicada relação entre o arquiteto e seu cliente – Parte 2 de 3

Do outro lado de um projeto frustrado, existem os clientes que não conseguiram transmitir um mínimo dos seus sonhos para que ele pudesse ser interpretado. Nesses casos, muitas vezes existe a mistificação do profissional: o arquiteto é colocado num pedestal como um ser iluminado, dono da verdade sobre o belo e o esteticamente correto. “Como eu, sendo o cliente, vou mostrar ou manifestar tal desejo para um arquiteto?”. Então surge o medo irracional e injustificado de um julgamento estético sumário: isto é feio ou ruim. O cliente treme diante da perspectiva de um juízo que, no seu entender, irá colocá-lo no rol dos mortais de mau-gosto. Pior quando o próprio arquiteto ajuda a reforçar essa imagem de semideus.

A delicada relação entre o arquiteto e seu cliente arquitete suas ideias

Existem ainda aqueles clientes que interferem e desfiguram um projeto na execução. Existem os que têm resultados caros e/ou desastrosos porque aceitam interferências incabíveis de um mestre de obras, desacreditando ou não consultando o arquiteto sobre questões de projeto no canteiro de obras. Existem os que querem impor idéias pré-concebidas e não deixam o arquiteto agir como um profissional de criação e aconselhamento que é.

Normalmente, o arquiteto sabe identificar o cliente impertinente, por demais desconfiado, fechado ou preconceituoso, ou aquele que irá perturbar e interferir no trabalho de uma forma insuportável ou intolerável. Nesses casos, para seu próprio bem, deverá, polidamente, rejeitar o trabalho.

No entanto quando existe acerto na escolha do arquiteto, e o cliente está aberto para essa nova experiência da concepção e construção, a recompensa é uma satisfação para o resto da vida.

A descoberta da empatia e o estabelecimento dos laços de comunicação e confiança se dão já no primeiro contato, quando o arquiteto ouve um pouco dos desejos do cliente, descreve a sua forma de trabalho, dá uma idéia geral de custos, etc. Esse é o momento decisivo que dirá da validade de uma relação que pode durar muito mais do que os próximos poucos meses de trabalho no projeto e na construção da casa.

Caso não haja empatia, a comunicação seja difícil ou não se estabeleça um laço de confiança nesse primeiro encontro, o cliente não deve hesitar em procurar outro profissional. Às vezes, ótimos profissionais simplesmente não respondem àquilo que um cliente espera ou deseja, embora o façam para outros clientes. Questão de empatia.

Um arquiteto experiente, criterioso, atento, que inspire confiança, que saiba escutar e que pergunte mais do que afirme numa primeira entrevista é um bom candidato a estabelecer um ótimo relacionamento com o cliente potencial.

A não ser que o cliente tenha necessidades não usuais e deseje uma arquitetura menos convencional, a criatividade do arquiteto não deverá ser um item a ser considerado nesse momento. Arquitetos são treinados a responder criativamente aos problemas e um profissional experiente certamente terá uma solução criativa para mais este.

Além da empatia, a escolha do profissional pode depender de outras considerações tais como status, estilo ou custo. Arquitetos, como estilistas, podem cultivar um nome que significa status para os seus clientes. Os projetos de tais arquitetos costumam refletir unicamente a sua própria visão estética e de como habitar. O cliente será consultado com respeito às suas necessidades básicas de ambientes e deverá adaptar-se à concepção do arquiteto. Essas obras costumam ter um estilo claramente identificável e conhecido, e os clientes costumam aceitar, a priori, as idéias e indicações. Essas indicações podem ir desde a escolha de um terreno ideal, até a determinação de um estilo de decoração e dos objetos que a complementarão.

Do lado do cliente, existem aqueles que, mesmo sem um arquiteto de renome, preferem não se envolver minimamente com o projeto e a obra, deixando todas as decisões para o profissional contratado. Essas pessoas têm grandes chances de não verem satisfeitas as suas ambições de morar (sempre existem, mesmo que não sejam expressas) e de serem obrigadas a conviver com uma arquitetura que não é do seu agrado.

Por outro lado, a escolha de um profissional tendo em vista unicamente considerações sobre o custo do projeto costuma ser causa de muitas insatisfações. Com exceção dos profissionais de renome, o trabalho do arquiteto tem uma remuneração mais ou menos padronizada. Pressões para redução nos custos de projeto normalmente resultam apenas em redução dos serviços oferecidos, às vezes sem que o cliente se dê conta disso. São reduzidos, por exemplo, o número de detalhes, a quantidade de alternativas estudadas e outros benefícios que serão referidos no próximo artigo. Um bom profissional deixará claro o que pode oferecer e o que será reduzido.

O ponto de partida de uma obra não se dá no escritório de um arquiteto. Ele geralmente acontece naquele momento em que se pensa seriamente em construir e que surgem as interrogações estéticas, econômicas e outras tantas. A partir daí, as pessoas tornam-se mais observadoras e atentas à arquitetura do seu entorno. Buscam informações e inspiração em revistas especializadas, indagam e até ensaiam um desenho do que lhes parece ser um bom começo para um projeto. São tentativas de se armar para vencer a insegurança de uma nova e iminente experiência.

É chegada a hora, neste momento, de procurar um arquiteto para lhe auxiliar nessa jornada.

Não perca a próxima e última parte sobre a delicada relação entre o arquiteto e seu cliente.

Abraço!

Fonte: www.forumdaconstrucao.com.br

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