Você sabe como surgiram os cinemas no Brasil?

É difícil achar alguém que não goste de ir ao cinema. Claro que hoje em dia alguns preços já não são tão amigáveis, mas ver um bom filme e comer pipoca é sempre uma ótima diversão. Mas nem sempre foi assim. Confira como tudo começou a seguir:

Há quase 120 anos em 1896, as primeiras projeções cinematográficas começaram a ser realizadas no Brasil, somente um ano após a invenção dos irmãos Lumière chamada cinematógrafo (um equipamento portátil que consistia num aparelho três em um, máquina de filmar, de revelar e projetar) vir a público. Inicialmente os cinemas faziam parte de peças teatrais ou outros espetáculos e só a partir dos anos 40 é que passaram a ganhar o formato mais próximo do que conhecemos hoje, com salas fixas específicas e como um formato autônomo, sem estar vinculado a outras formas de apresentações culturais, recebendo grande apoio da imprensa.

Os cinemas começaram como adaptações de espaços já existentes e, portanto, raramente existiam lugares com mais de uma sala. Com sua frente diretamente para a rua os cinemas incorporaram para si não apenas como um local para apresentações cinematográficas, mas também como um espaço de encontro social importante para as nossas cidades, equiparando-se com o que já acontecia nas igrejas e também nos teatros e demais espetáculos.

Imagem 1 - Frente Art Palácio, São Paulo. Fonte Rádio CBN, blog Mílton Jung.

Imagem 1 – Frente Art Palácio, São Paulo. Fonte Rádio CBN, blog Mílton Jung.

Inicialmente possuíam um caráter mais popular, ficando para as óperas e espetáculos teatrais as atrações destinadas às elites, porém tal concepção rapidamente mudou, não apenas pelo fato das produções cinematográficas adquirirem maior qualidade, mas também com a criação de salas mais requintadas buscando esse público.

Em pouco tempo a permanência de um cinema em uma localidade da cidade incentivou a construção de cafés e demais comércios que se aproveitavam do acúmulo de pessoas que ocorriam antes e depois de qualquer filme. Na época também houve o aparecimento dos vendedores de pipoca, que ao identificar o grande público, locomoviam- se para a frente das salas de cinema para vender seu produto. Atividade essas, que aos poucos foram sendo incorporadas para dentro dos cinemas que passaram a vender não só pipoca, mas bebidas e demais itens de bomboniere.

Entre os anos 40 e 60 muitas salas foram construídas, algumas possuindo um foco em públicos específicos, como o cinema do bairro Liberdade em São Paulo especializado em filmes japoneses para os imigrantes.

Imagem 2 - Salas de cinema existentes em São Paulo 1950-1959. Fonte Conrado, Bruno Campos. “O crescimento do cinema na cidade de São Paulo. Salas do Centro x Salas de Bairro”.

Imagem 2 – Salas de cinema existentes em São Paulo 1950-1959. Fonte Conrado, Bruno Campos. “O crescimento do cinema na cidade de São Paulo. Salas do Centro x Salas de Bairro”.

É nessa época que temos no Brasil, o auge dos cinemas “de rua”, maneira como eram chamados os cinemas que possuíam sua entrada diretamente para o passeio público da cidade. Os halls de entrada dos mesmos eram cada vez maiores e imponentes, em alguns “tomavam a calçada” integrando o foyer interno ao espaço público, em outras criavam uma distinção evidente do externo com o interno até mesmo utilizando-se de temáticas na decoração evidenciando assim uma experiência para ter naquele espaço.

Imagem 3 - Hall Cinema Marrocos, São Paulo. Fonte Salas de cinema de SP.

Imagem 3 – Hall Cinema Marrocos, São Paulo. Fonte Salas de cinema de SP.

Nos EUA eram populares também os “drive-ins”. Cinemas construídos em grandes estacionamentos cujo público assistia aos filmes de dentro de seus próprios carros, captando o som do filme através de frequências de rádio.

Imagem 4 - Drive-in. Fonte Boldride

Imagem 4 – Drive-in. Fonte Boldride

Porém é a partir dos anos 70 que os diversos cinemas espalhados pela cidade passaram a sofrer com a especulação imobiliária dos grandes centros. O advento de novas tecnologias como VHS e popularização da TV também colaboraram na diminuição do público, sobretudo em cidades menores que antes só possuíam acesso a programações como noticiários através dos cineclubes. Enquanto isso se expandiu pelas grandes cidades o Multiplex que substituía os cinemas de rua por salas localizadas em Shopping Centers que centralizam diversas atividades de lazer e comércio em um único lugar. Más é a segurança e o ar-condicionado os dois fatores determinantes para o sucesso deste novo modelo¹.

Imagem 5 - Salas de cinema existentes em São Paulo 1990-2000. Fonte Conrado, Bruno Campos. “O crescimento do cinema na cidade de São Paulo. Salas do Centro x Salas de Bairro”.

Imagem 5 – Salas de cinema existentes em São Paulo 1990-2000. Fonte Conrado, Bruno Campos. “O crescimento do cinema na cidade de São Paulo. Salas do Centro x Salas de Bairro”.

Nos multiplex, além da presença cada vez maior de um grande número de salas, o que proporciona diversos filmes com diversos horários para exibição em um mesmo lugar, ocorreu também a manutenção das vendas de pipoca, refrigerantes e demais itens de bomboniere para consumo dentro das salas, itens estes que antes eram vendidos por terceiros, mas que hoje fornecidos pela própria rede de cinemas fez aumentar o faturamento a ponto de muitos empresários do ramo alegarem que vendem pipoca e não sessões de filme. Como afirma Dan Glickman CEO da MPAA (Motion Picture Association of America) ao alegar que o milho é o elemento central da economia do cinema².

Mais atualmente com a numeração de poltronas compradas antecipadamente, feitas até mesmo pela internet, deixou de existir também as longas filas que se formavam na entrada das salas com objetivo de conseguir o melhor lugar possível para se assistir aos filmes. O cuidado com a acústica e as novas tecnologias de projeção e de som transformaram também os interiores das salas, que ganharam arquibancadas mais inclinadas e telas maiores.

Imagem 6 - Cinesystem Iguatemi Florianópolis

Imagem 6 – Cinesystem Iguatemi Florianópolis

Atualmente algumas salas de cinema em formato IMAX possuem o tamanho de suas telas variando em torno de 22 x 16m! Outro recurso que surgiu foi a tecnologia 3D presente em todas as salas desse formato e em outras salas de formatos menores, trazendo um novo impulso para a tecnologia envolvendo projeções e gravações de filmes.

Imagem 7 - Sala IMAX. Fonte Magazine-HD

Imagem 7 – Sala IMAX. Fonte Magazine-HD

Além do tamanho das telas e toda a tecnologia envolvida, muitos cinemas na tentativa de diversificar o seu público procuram oferecer diferenciais de serviços e conforto com as salas VIPs, onde encontramos poltronas reclináveis e em alguns casos até mesmos sofás!

Imagem 8 - Sala VIP Cinesystem Shopping Maceió

Imagem 8 – Sala VIP Cinesystem Shopping Maceió

Imagem 9 - Sala com sofás. Fonte freddieandcinnamon

Imagem 9 – Sala com sofás. Fonte freddieandcinnamon

A supremacia multiplex não fez desaparecer, entretanto, os cinemas de rua. Apesar de terem restado apenas alguns, eles ainda se mantém vivos devido a vínculos culturais e a uma nova tendência cult que levou a esses cinemas filmes pouco apresentados nos grandes complexos de cinema.

E você, gosta de cinema? O que achou de conhecer um pouco mais da história dele?

No próximo artigo vamos falar mais como os cinemas funcionam e o que é preciso para assistir a uma boa sessão. Você lembra daqueles rolos de filmes? Então, eles estão desaparecendo…

Texto escrito por Julian Francisco Vasconcelos Piran, para o Arquitete suas Ideias.

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1 – Constatação observada por Frédéric Martel em seu livro “mainstream”, pág. 44;

2 – A MPAA é uma entidade sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos formada para defender os interesses dos maiores estúdios produtores de filmes daquele país.

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