Qual o valor da sua arquitetura?

Quanto você cobra? Qual é o seu preço? Para os amigos é de graça né?

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Prostituição. Palavra forte de inúmeros significados e um deles sendo o de “vida desregrada de devassidão” (ou depravação de costumes). Levante a mão – ou escreva nos comentários – qual profissional recém formado nunca ouviu alguma frase que levava esse termo? “No começo da carreira tem que se prostituir”, “Tive que dar uma prostituída para conseguir aquele trabalho”, “Pow, por um preço desses ele(a) teve que se prostituir!”.

Todos achamos um absurdo, porém todos sabemos que no início da carreira conseguir projetos é difícil. O mercado não está preparado, os clientes não estão  preparados e os profissionais não estão, ou não querem, estar preparados. Não ser conhecido é complicado e por isso mesmo fazer com que as pessoas depositem a confiança em você é mais difícil. Então a maioria das pessoas começa fazendo projetos para os parentes. Uma tia que quer decorar o apartamento, um amigo que quer fazer a primeira casa ou o pai e a mãe que pede uma “reforminha” para ver se o filho(a) aprendeu alguma coisa na faculdade.

Em todos os casos, como cobrar? Fazer o projeto de graça para adquirir experiência e mais um projeto no portfolio? Bem, dificilmente você receberá bem pelos primeiros projetos. Se você conseguiu, comente aqui sua experiência, mas a grande maioria talvez não consiga se sair tão bem.

Além disso, a classe de profissionais não é tão unida como se pode pensar. Em conversa entre arquitetos e engenheiros recém formados, é unânime a opinião de que é ruim que novos profissionais cobrem tão pouco pelos seus projetos. Chega ao ponto de ser 5 vezes menor que o preço de mercado. Mas qual é o preço de mercado? E porque valores tão baixos são praticados? Hipóteses são criadas entre conversas e desabafos chegando ao ponto de casos em que a pessoa está desempregada e por isso cobra muito pouco somente para conseguir um trabalho.

Desta maneira ao baixar os preços, inevitavelmente a quantidade ou a qualidade dos serviços é diminuída. Muitos falam que o “mercado seleciona”, o que significaria que maus profissionais seriam retirados naturalmente do mercado e os bons conseguiriam assim mais trabalhos. Mas convenhamos, já é sabido que as pessoas já não entendem ou não sabem o valor de um arquiteto para sua obra, imagina o trauma deste cliente ao receber serviços ruins ou mínimos de um profissional habilitado?

Eu entendo que não é fácil. Por que confiar o projeto de uma casa para uma pessoa que você mal conhece? “Como saber se o projeto vai ficar bom ou com a minha cara? É da MINHA casa que estamos falando!”. Como arquiteto tenho as seguintes reflexões: costumo comparar este momento a uma ida ao médico. Este profissional já é muito bem estabelecido no mercado, todos sabemos da importância do médico para a sociedade. Da mesma maneira que há bom médicos também existem médicos ruins. O que você faz quando precisa de um? Pede opinião para as pessoas mais próximas, afinal experiências passadas demonstram a qualidade do profissional em questão.

Mas um bom médico cobra caro, pois teoricamente o resultado será melhor ou mais rápido. E uma consulta particular raramente custa menos de R$200,00 e frequentemente é mais caro e você precisará seguir consultando por um bom tempo, dependendo do que é preciso para resolver seus problemas. E mais comum ainda é ter que pagar este preço e ser atendido em 15 minutos. Acontece? Sim e é normal.

Como na medicina, há arquitetos bons e ruins, com preços baixo e altos. Mas você não paga R$200,00 por 15 minutos do tempo do arquiteto, mesmo porque é impossível resolver projetos neste tempo e a resolução do seu “problema”  como uma casa tem um resultado duradouro de muitos anos, quiçá uma vida inteira.

Como o mercado de arquitetura também é artístico existe a questão da “marca”, ou seja, para ter a “marca” de um determinado arquiteto você deve também pagar por isso. Mas nestes casos o profissional já está estabelecido no mercado e tudo mais. Para os novos profissionais resta o bom senso. Não se pode cobrar muito pouco porque é prostituição, mas também não se pode cobrar o valor real no começo (até mesmo estabelecido por tabela) pois ele é alto – e sabemos disso – para as pessoas pagarem. Quanto vale o seu trabalho? É o suficiente para as horas e horas de desenhos, resolução de problemas e incomodações dentro de uma obra? Certifique-se de que seja.

O papel do arquiteto é ajudar a transformar os sonhos dos clientes em realidade, ficando atento ao preço e ao tempo. É um profissional completo e pode ajudar nas mais diversas áreas. Para confiar é preciso conhecer, então procure referências e mostre bons resultados.

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3 responses to “Qual o valor da sua arquitetura?

  1. Concordo com tudo que disse Thiago Hiroshi, e disse bem. No momento sou como a Arquiteta desempregada que citou, porque já trabalhei em escritório e hoje sou autônoma e trabalho também com algumas parcerias. Nas parcerias existe um valor fixo que eles estabelecem para cada tipo de serviço, então não há barganha. Mas no trabalho como autônoma é complicado e bem difícil não se “prostituir” porque muitos clientes choram para pagar pouco e sempre tem aqueles amigos, parentes que não temos coragem de cobrar direito. Enfim, com quase três anos de formada e morando em uma cidade universitária como tantas, que todo ano forma muitos profissionais sem o mercado poder acolher a todos, fica muito difícil se valorizar mais, por mais que saibamos bem o valor dessa profissão tão ampla e concretizadora de sonhos.

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  2. Não sou arquiteta, mas cliente. Tive, recentemente, minha primeira experiência (e traumática, por sinal) contratando um arquiteto para reforma do meu primeiro apartamento, justamente por valorizar o trabalho profissional, por ser meu primeiro imóvel próprio (algo especial) e, principalmente, para poupar-me de aborrecimentos pelo desconhecimento na área. No início, as coisas estavam indo bem, até que o “profissional” começou a mudar o tratamento, demonstrando impaciência comigo e meu marido o que foi piorando até culminar em emails totalmente rudes e mal educados do “profissional”. Minha perplexidade era total! Tentei de toda forma ser cordial e só recebi patadas! Até que tivemos uma discussão e o “profissional” disse que a minha obra estaria atrapalhando outros projetos que surgiram e que ele não teria tanto retorno financeiro pelo trabalho que estava dando (dentre outras barbaridades). No fim, quis incluir impressões de plantas não previstas na proposta (tanto que voltou atrás e desistiu de cobrar). Enfim, foi um grande papelão. Por tudo o que a pessoa disse, pude concluir que ela se arrependera do valor cobrado, bem como subestimou o trabalho e o tempo necessários e depois quis criar situações para nos responsabilizar e cobrar mais depois e mesmo justificar atrasos. Para vocês terem uma ideia, a minha perplexidade foi como se eu tivesse ido a um restaurante, pedido um prato e 2 horas depois apareceu o maitre brigando comigo porque o prato estava dando muito trabalho pra ser feito, pelo preço que ele mesmo estava cobrando! Enfim, estejam muito certos dos valores e, caso se arrependam depois, (se é que isso é factível de acontecer com bons profissionais) argumente com o cliente com serenidade e profissionalismo e independentemente do resultado desta conversa, honre os compromissos assumidos com profissionalismo até o fim.

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    • Olá Jo, muito obrigado pelo seus testemunho.
      Infelizmente existem bons e maus profissionais em qualquer área. Mas é ainda mais danoso quando mexemos em algo como o sonho de morar em uma casa própria. Não há desculpas para que este “profissional” fez, pelo jeito estava mal preparado e ainda por cima foi muito mal educado.
      Espero que essa experiência traumática não a impeça você de contratar novos serviços de arquitetura. Procure verificar os trabalhos anteriores do arquiteto e se puder fale com antigos clientes, desta maneira fica mais fácil de escolher entre tantos profissionais no mercado. Como na compra de qualquer produto, desconfie se o valor do serviço for extremamente barato.
      Um bom profissional cobra pelo serviço e não precisa ficar inventando maneiras de cobrar mais depois do compromisso firmado, o valor só é alterado caso o cliente peça novas coisas que não foram combinadas no começo.
      Continue visitando o Blog e obrigado novamente por contar um pouco da sua experiência.
      Abraço!

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