Por que o Japão tem as casas tão diferentes do resto do mundo?

Desde projeções questionáveis, casas feitas sem janelas visíveis, até formas que parecem ter saído de um conto de fadas, a arquitetura residencial japonesa frequentemente vai até o limite do que tipicamente nós definimos como “casa”. E não só alguns exemplos que podemos ver pela internet, mas sempre me impressiono com o design inovador que os arquitetos japoneses usam em suas residências. Muito disso vem da oportunidade de poder fazer algo mais excêntrico e criativo dentro dos limites de uma casa unifamiliar japonesa.

Existe uma tendência de que os clientes no Japão optem por casas mais radicais, o que sugere que a economia permite que jovens casais invistam em fachadas diferentes do usual – ainda mais em um país onde existe o maior número de arquitetos per capita em todo mundo. A maioria dessas peculiares casas são construídas pelos jovens, casais de classe média sem um grande orçamento.Desta maneira percebe-se que hoje no Japão a procura por fazer novas casas é bem maior do que renovar as antigas existentes. Entretanto, a economia do Japão tem sido notoriamente mais lenta desde o final da década de 1980, o que torna a ideia de construir uma nova casa parecer bastante desaconselhável.

Cube Court House projeto de Shinichi Ogawa & Associates

House in Kohoku projeto de Torafu Architects

Então o que trouxe essa obsessão de construir sempre o mais novo, diferente e tecnológico projeto? Por que em uma economia em declínio as pessoas querem investir em projetos não usuais sem saber o poder de permanência dos mesmos? Talvez essas perguntas precisem de respostas um pouco mais complexas. Há pesquisadores que afirmam que a arquitetura no Japão está sendo feita para ser “descartável”. O fato é que os valores das casas japonesas depreciam-se muito mais rápido do que na América, Grã-Bretanha ou outras partes da Asia. Na verdade, as casas perdem todo seu valor em apenas 30 anos! Enquanto que metade delas devem ser demolidas depois de 38 anos de construção. Este surpreendente fato traça o futuro das residência em uma escala de descarte muito rápido e por isso faz com que os moradores usem esse modo “descartável” para poder arriscar mais e ousar em seus projetos.

House in Mishuku Ⅱ projeto de  Nobuo Araki/The Archtype

Entretanto, a situação é um pouco mais complexa do que essa. Há inúmeras diferenças culturais em como as casas são avaliadas tanto no Japão como em países como os EUA ou a Grã Bretanha. Em outras linhas, há pouca demanda para casas antigas. No ocidente existem pessoas que gostam de estruturas antigas, em um estilo vitoriano por exemplo, mesmo pelo simples fato de ser um estilo charmoso, que envolva algum sentimento ou apreciação pela arquitetura histórica. Os japoneses, por fatos históricos ou catástrofes naturais, estão mais acostumados a não dar tanta importância a uma residência mais antiga.

Cell Brick, projeto de Atelier TEKUTO

Esse “conforto” em deixar para trás anos de história de um imóvel está diretamente ligado a frequente necessidade de renovação do mesmo. Quando as bombas atômicas foram jogadas em Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial, essas cidades foram dizimadas em segundos. Depois o Japão teve que rapidamente construir novas casas para abrigar os sobreviventes da catástrofe. A grande maioria das casas construídas após o término da grande guerra foram feitas de materiais baratos e sem muitos códigos e regras estruturais. Além disso tudo os frequentes terremotos e desastres naturais tem feito com que a permanência de residências no Japão seja um grande desafio para todos.

House NA projetada por Sou Fujimoto Architects

Atualmente a maioria das casas do Japão foram construídas na década de 80, logo depois de se perceber que as casas pós guerras eram inseguras e descartáveis. Mas mesmo essas residências com melhor qualidade e resistentes a terremotos e outros códigos de regras virão a perecer rapidamente também. Casas antigas japonesas simplesmente não mantém seu valor pelo fato de que o sentimento nostálgico não existe. Este motivo, bem sabido por muitos japoneses, leva aos novos clientes a procurar estruturas pouco ortodoxas, sabendo que a construção terá um curto período de vida.

Magritte’s projetada por Atelier TEKUTO

Ainda assim, enquanto essas circunstâncias únicas no Japão ajudaram a criar os mais diferente tipos de casas do planeta, essa ideia de construção e desconstrução como se fosse algo puramente descartável é um dos motivos pelo qual a economia japonesa está indo por água abaixo. De acordo com Richard Koo, um economista em Tóquio, o ciclo contínuo impede as famílias de construir riqueza sobre riqueza e muitas vezes acabam vendendo suas casas por menos do que pagaram, impedindo que ele chama de construção de uma “sociedade afluente”.

Esse é um futuro que veremos em outras localidades, ou seria algo que só acontece no Japão? Deixe seu comentário!

Fonte: Achitizer

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