Nakajima Tower – A torre cápsula.

A Torre Nakagin é a primeira obra arquitetônica do estilo cápsula no mundo construída para uso real. Mesmo considerada uma obra do patrimônio Mundial de edifícios modernos, seu futuro ainda é incerto.

O conceito do projeto da Torre Cápsula foi com certeza bastante inovador, quebrando todos os preceitos da arquitetura mundial existentes na época. O projeto colocou em prática as ideias do metabolismo, através de Kisho Kurokawa, o líder do grupo, que viu no projeto a essência da reciclabilidade, tornando-se um protótipo do que seria a arquitetura sustentável. Isso se deu pelo fato das 140 cápsulas serem separadas por módulos (medindo 2,5 × 4 × 2,5 metros), o que em tese facilitaria a substituição ou alteração de cada unidade após o passar do tempo, também podendo mudar a disposição dos módulos e criar ambientes diferentes. A obra foi considerada um dos principais exemplos do movimento metabolista, já que ele tinha como objetivo mesclar elementos de humanismo com estruturas adaptáveis e flexíveis, o mesmo conceito da torre Cápsula.

O contexto histórico arquitetônico onde se insere a Torre Cápsula de Nagakin é a de um movimento pós-guerra que precisava recontruir o Japão com sua identidade mesmo sob influências de estilo ocidental. O Movimento Metabolista era uma resposta peculiar japonesa para a crise universal das megalópoles e olhava para o oceano como um local de uma nova civilização. Cada proposta era uma demonstração distante da capacidade dos grandes trabalhos da engenharia em aumentar seu tamanho a partir da adição de componentes celulares pré-fabricados. Como se o edifício fosse sujeito às mesmas leis do crescimento natural como as das populações que ele servia.

A nova geração de arquitetos sofreu influência importante de Le Corbusier. O arquiteto projetou, em Tóquio (1955-1959), o Museu Nacional da Arte Ocidental. Le Corbusier inspirou, por exemplo, Kenzo Tange e Tadao Ando, dois dos mais proeminentes arquitetos modernos. Além disso, sua influência chegou ao grupo de jovens arquitetos e críticos que surgiu com uma espécie de filosofia que juntava idéias tiradas do design tradicional japônes e da arquitetura pop, sendo o grupo metabolista apresentado na Conferência Mundial de Design, Tóquio, 1960.

Outros exemplos de construções metabolistas foram: o Sky Bulding no. 3, Tóquio (1971), de Youji Watanabe, o Castelo de Juventude Kibogaoko, de Tatsuhiko Nakajima, Shiga (1973) e o Centro de Comunicação Yamanashi, Kofu (1964 – 1967), de Kenzo Tange, um importante arquiteto, mais velho dentre os outros do grupo.

Kurokawa desenvolveu uma tecnologia para instalar as cápsulas no núcleo de concreto com apenas 4 parafusos de alta pressão, dessa forma as unidades poderiam ser colocadas e retiradas com maior facilidade. A intenção do arquiteto era expressar a visão de uma sociedade em constante desenvolvimento e mutação, assim como na intenção de fazer cidades oceânicas, aéreas, unidades agrícolas, unidades residenciais móveis e estruturas helicoidais, por exemplo. Com base nos sistemas tecnológicos e nos sistemas de agregação de cápsulas residenciais, havia a crença num novo tipo de revolução tecnológica. Assim como a ênfase no planejamento sistemático devido às questões energéticas, crescimento contínuo e preocupação teórica quanto a criação de mega-estruturas transformáveis.

Após 40 anos da construção do prédio, nota-se que alguns fatores não foram usados na prática. Projetadas para serem trocadas a cada 25 anos, as cápsulas continuam no seu formato original. O eixo central foi feito para durar 100 anos, mas com a deteriorização das unidades muitos moradores começaram a reclamar das condições de vida. Teoricamente a estrutura deveria faciliar a troca dos módulos, porém somente as cápsulas superiores poderiam ser tiradas sem mexer em toda estrutura, ou seja, para trocar as cápsulas dos andares inferiores, todas as demais acima delas deveriam ser retiradas antes. E isso não é nada vantajoso com relação a tempo e dinheiro.

Hoje em dia o prédio encontra-se bastante precário e desde 2007 os moradores insistem na sua demolição, exatamente pelos motivos citados, dessa forma, tornou-se muito difícil recuperar a visão da reciclabilidade de 40 anos atrás hoje em dia. Também contribuiu para isso, a falta de manutenção, que acabou ocasionando na deterioração da estrutura e grande queda na qualidade de vida dos seus moradores, como cortes eventuais do fornecimento de água.

O próprio Kurokawa era contrário a demolição e em contrapartida queria a reforma do edifício, trocando as antigas cápsulas por novas e mais modernas, porém esse projeto nunca foi posto em prática.

Apesar de ser a opção mais rentável, já que o bairro está bastante valorizado, de construir um novo fazer um novo edifício no local aumentando em 60% a ocupação vertical da área, a demolição não poderia ser vista como uma opção já que o projeto faz parte do patrimônio cultural, e além de ser uma incrível arquitetura, é a idealização de um ideal. Até hoje a torre é lembrada como um marco e isso por si só já se torna um motivo para a preservação da mesma.

Depois de tantas discussões até um documentário foi criado e inclui entrevistas a moradores, ao filho de Kisho Kurokawa, aos renomados arquitetos japoneses Arata Isozaki e Toyo Ito, além de outros personagens importantes para a discussão. O filme ainda contem material sobre a fabricação instalação das cápsulas.

Mas conforme o tempo passa e medidas não são tomadas, o futuro da Torre Nakagin pode ser desastroso. Pricipalmente após o grande terremoto que ocorreu no norte do Japão no ano passado, que evidenciou ainda mais a preocupação dos moradores sobre a resistência contra tremores, além de morar em um prédio sem manutenção desde a sua construção.

Ginza, Tóquio, Japão

Concepção / construção :1970-1972

Área de Construção: 429.51m ²
Área útil Total: 3,091.23 m²
Aço e Concreto Armado
1 subsolo + 11 andares tipo e 2 andares comerciais

Mais imagens:

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Fontes e imagens: metalocus.es, flickr.com(pictureTYO), torrecapsula.blogspot.com,kisho.co.jp, ryosuken.ti-da.net, Mori Art Museum site, blog.livedoor.jp e archdaily.com.

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2 responses to “Nakajima Tower – A torre cápsula.

  1. Ótimo artigo! Estava esses dias ouvido um professor falar sobre o metabolismo na arquitetura. Vou ler com calma mais tarde.

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  2. Pingback: Chaska Chayamachi – Tadao Ando | Arquitete suas Ideias·

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