Ônibus movido a hidrogênio é lançado no Rio de Janeiro

Coppe lança Ônibus a Hidrogênio com tecnologia nacional.

O primeiro ônibus a hidrogênio do Brasil com tecnologia 100% nacional foi lançado no dia 26 de maio, em evento realizado no Rio de Janeiro. O veículo, desenvolvido pela Coppe, em parceria com a Fetranspor e com as secretarias municipal e estadual de transportes, circulará nas ruas do Rio a partir do segundo semestre de 2010.

O desafio inicial do ônibus será o Challenge Bibendum, rali promovido pela Michellin, entre os dias 30 de maio e 2 de junho, no Riocentro, no Rio de Janeiro. Em julho, o coletivo circulará na Cidade Universitária, transportando professores, alunos e funcionários e, no segundo semestre de 2010, será operado pela empresa Real em uma linha na Zona Sul, segundo revelou o diretor de Mobilidade da Fetranspor, Artur César Soares.

“O hidrogênio desempenhará no século XXI o mesmo papel que o petróleo no século XX. Só que menos poluente e de mais fácil obtenção. É o futuro do transporte que estamos oferecendo à cidade. Já temos inclusive um planejamento para a industrialização deste ônibus”, frisou o professor da Coppe, Paulo Emílio de Miranda, coordenador do projeto, durante o evento.

Coordenado pelo professor da Coppe, Paulo Emilio, o Ônibus a Hidrogênio tem autonomia para rodar até 300 km

O veículo, com tamanho e a aparência iguais de um ônibus urbano convencional (vista lateral de 12,5m), tem piso baixo, ar-condicionado, espaço para embarque de deficientes físicos e autonomia para rodar até 300 quilômetros. É movido a energia elétrica obtida de uma tomada ligada na rede e complementada com energia produzida a bordo, por uma pilha a combustível alimentada com hidrogênio. Isso significa um veículo silencioso, com eficiência energética muito maior que a dos ônibus convencionais a diesel e com emissão zero de poluentes. O que sai de seu cano de descarga é apenas vapor de água, tão limpo que, se condensado, resultaria em água para consumo.

Seu pioneirismo está no fato de terem sidos desenvolvidos no Brasil todos os equipamentos e subsistemas tecnológicos importantes para esta aplicação. O sistema de tração elétrica oferece partidas e deslocamentos suaves e permite otimizar o seu desempenho em função do ciclo de rodagem. Esse é o primeiro de uma série de três ônibus desenvolvidos pelo Laboratório de Hidrogênio da Coppe que fazem parte do mesmo programa da Secretaria de Estado de Transportes. O segundo ônibus será elétrico híbrido a álcool e o terceiro exclusivamente elétrico.
Os ônibus desenvolvidos na Coppe possuem o mesmo sistema de recuperação de energia cinética utilizado pelos carros de Fórmula 1. A diferença é que na Fórmula 1 esse sistema é voltado para ganho de velocidade e nos ônibus da Coppe para aumentar a eficiência energética e economizar combustível.

Entre 2010 e 2011, os três veículos rodarão na cidade do Rio de Janeiro, quando serão comparados aos ônibus convencionais. O objetivo é que os novos ônibus sejam uma opção de transporte sustentável para o Rio de Janeiro disponível para a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. “A Prefeitura tem um papel essencial para a implementação deste projeto. Tenho certeza que os parceiros encontrarão a solução técnica para viabilizar a produção em larga escala, de forma que na Copa e nas Olimpíadas os ônibus já estejam circulando”, afirmou o vice-prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz.

O custo do ônibus a hidrogênio é cinco vezes maior que os movios a diesel.  ” Toda tecnologia nova é mais cara. Se a tecnologia nova é produzida em apenas um unidade é mais cara ainda, mas a tendência é que com o aumento da produção isso desapareça. Além disso a tecnologia agrega vantagens operacionais.  O ônibus tem um gasto menor de manutenção e, por causa do arranjo tecnológico, tem consumo menos de combustvel. Ao longo dos anos ele se torna mais vantajoso que os veículos convencionais”, disse o coordenador do projeto.

O projeto tem entre seus parceiros técnicos as empresas Weg, Rotarex, Busscar, Guardian, EnergiaH, Energysat, Electrocell, Controllato, Manvel e Hubz. Também conta com o apoio da Usiminas e da Eletrobrás. Também estiveram presentes ao evento o superintendente da SMTU, Waldir Perez; e o diretor de Pesquisa e Energia do Cenpes/ Petrobras, Paulo Roberto Barreiro Neves.
A nova economia do hidrogênio
Em 1874, no livro A ilha misteriosa, o escritor francês Júlio Verne profetizou que o hidrogênio seria o combustível do futuro. Naquela época, os cientistas já reconheciam a possibilidade de aplicação do hidrogênio para mover máquinas e haviam descrito os princípios de funcionamento de um conversor eletroquímico, que mais tarde viria a ser a primeira pilha a combustível.
Mas entre 1860 e 1890 foi desenvolvido o motor a combustão interna. A descoberta de crescentes reservas de petróleo fez o resto. Exceto por aplicações em naves, o mundo esqueceu a via eletroquímica, representada pelo hidrogênio e a pilha a combustível, e optou pela via térmica, representada pelos combustíveis fósseis e o motor a combustão interna, que são menos eficientes energeticamente, porém mais baratos e mais simples. Foi assim que o século 20 se tornou a era do petróleo.
Só agora, com a crise ambiental causada pela concentração na atmosfera do carbono proveniente da queima dos combustíveis fósseis, a velha profecia de Júlio Verne volta à tona.
Fonte: Planeta Coppe